Identidade Cultural da Lomba do Pinheiro e os Índios Kaingang
Fernanda Paulo
É na parada 25 da Lomba do Pinheiro, bairro localizado na zona leste de Porto Alegre, contando com mais de 56275 habitantes*[.1] [.1] [. 1] , que esta instalada os indígenas Kaingang que vivem de forma coletiva.
Sabendo da importância desta parte diversificada do bairro os (as) participantes do curso “Mapeamento Cultural da Lomba do Pinheiro”( IPDAE) decidiram em conjunto visitar o espaço Kaingang, que a partir deste desejo conseguimos conhecer um pouco mais da história da comunidade.
“(...) Conseguimos ganhar no OP e conseguimos cobrar a terra. A terra seria mais um desafio, as moradias, as casas (...)”. A partir desta conquista o grupo reuniu-se para planejar, instrumentalizar-se e pensar o Plano Diretor dentro da reserva Indígena. No desenho participativo os kaingang construíram um projeto de infra-estrutura do espaço de Sustentabilidade Kaingang, para a FUNAI e FUNASA, que mesmo com a entrada no Ministério da Justiça o grupo não foi contemplado às suas demandas.
Através de uma pesquisa junto a um grupo de profissionais da Prefeitura de Porto Alegre que pleiteiam projetos financeiros fora do país, percebeu-se o interrese ao projeto por parte da ONG da Espanha Fundación Paz y Solidaridad que resultou em uma parceria com a prefeitura. Segundo o professor Indígena, Zaqueu: “O pessoal da Espanha se interessou sobre a nossa comunidade, porque a nossa população é bastante, não tínhamos casas, morávamos debaixo de lona e alguns brasilites”. Com esta fala do atual diretor da escola local, percebe-se o quão foi importante o processo de luta pelo direito a conquista de espaço, que desde o ano de 2003, quando chegaram ao bairro Lomba do Pinheiro, até o ano de 2005 sofreram com o frio, com a chuva e demais dificuldades de viver com o mínimo de dignidade humana.
Um grupo de índios Kaingang foi à Espanha a fim de entregar o projeto que buscava captação de recursos e depois de cinco dias de diálogo, conversas e parceria, os kaingang ao chegarem a sua Aldeia em Porto Alegre, foram surpreendidos com a MINUTA, que chegara primeiramente que estes, já com a verba espanhola. Com esta verba conquistada surgia outro desafio, que era necessário e urgente à implantação da infra-estrutura do espaço, o gerenciamento deste dinheiro, que segundo Zaqueu: “(...) a gente não tinha associação, não tinha nem uma ONG, então chamamos a prefeitura de novo (...)”. No entanto, com a vinda da prefeitura ambos os lados reuniam-se para conversar e planejar as obras. As construções das moradias iniciaram-se em 2005, com as 23 famílias indígenas que estavam instaladas na reserva, junto com a coordenação da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Segurança Urbana (SMDHSU) e com o Departamento Municipal de Habitação (Demhab).
Depois da parceria com a ONG da Espanha que doou uma verba ao projeto que visava à melhoria de vida da população indígena da Lomba do Pinheiro, o projeto Espaço de Sustentabilidade Kaingang, tem vingado através das lutas junto aos movimentos Sociais. As conquistas que são importantes ser destacada são: a implantação da escola bilíngüe (2004) que incentiva ações educativas e de qualidade de vida, o posto de saúde, centro fitoterápico, e o centro cultural, no qual a comunidade realiza encontros, seminários e rituais. Atualmente a comunidade vive no espaço com quarenta e quatro famílias e três indígenas universitários. O Zaqueu, um dos indígenas pesquisados pelo grupo do IPDAE, estuda Pedagogia, é professor, artesão e diretor. Ele veio da Aldeia Indígena Guarita, uma aldeia com
Outras características da Reserva Indígena, que é destacado pela importância e riqueza das descobertas, como as formas, valores, regras e cultura diferente dos demais moradores (as) do bairro, tais como:
Língua: A permanência e cultivo da língua materna que justifica a vida coletiva “gueto”, como falou Zaqueu, e a perpetuação da cultura e identidade dos Kaingang da Lomba do Pinheiro
O trabalho do Líder espiritual que tem o papel de cuidar das questões internas da tribo, assim como a valorização do trabalho do Cuiã (Pajé), do cultivo de ervas medicinais e rituais.
São os lideres que autorizam as visitas à comunidade e cada um destes estão em busca de novas possibilidades e realizações
Desta forma o grupo pesquisador do IPDAE se sente feliz e contemplado ao ter conhecido e conversado com os índios da Reserva Indígena da Lomba do Pinheiro. Na busca de resgatar a trajetória do bairro, escrevendo e re-escrevendo com o povo e para o povo a nossa história, descobrimos que essa riqueza de conhecimento está tão próxima e tão distante de alguns moradores (as) do bairro e por isto deixamos um desafio e um convite a ser desvelado e sentido somente pelas aquelas pessoas que ousam se conhecer e conhecer-se.
Aproveitamos para registrar a importância dos Índios Kaingang comporem a nossa pesquisa, que estes são partes integrantes da nossa riqueza e complementam a Identidade Cultural da Lomba do Pinheiro.
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