quinta-feira, 7 de maio de 2009

Formação docente

Formação de Educadoras (es) Populares de Porto Alegre: trajetória e desafios

Fernanda Paulo

RESUMO

O presente artigo tem sua origem no desejo da autora em pesquisar os processos de formação inicial de um grupo de educadoras, na gênese na Educação Popular, visando contribuir através do estudo e análise, o fortalecimento e concretização dos fundamentos teóricos, éticos, políticos e filosóficos que embasam a educação popular no Brasil nos cursos de formação docente quanto à formação das (os) educadoras (es) populares de Porto Alegre em nível superior. Para tanto, aborda-se os conceitos de Educação Popular, desvelando os anseios, desejos, realizações e esperanças ao lado da historicidade e intencionalidade de um movimento organizado chamado AEPPA (Associação de Educadores Populares de Porto Alegre). Realizou-se observação participante e pesquisa semi-estruturada com doze educadoras populares que responderam questões, referente às suas instituições acadêmicas, quanto aos seus respectivos currículos e a respeito do perfil das professoras que trabalhavam (se trabalhavam) disciplinas que contemplavam a educação popular, bem como questões a respeito de suas experiências. Assim, as trajetórias e desafios das trabalhadoras(educadoras) em educação popular no contexto das instituições comunitárias, da capital gaúcha, serão objeto de analise, avaliação e discussão sobre os aspectos positivos e negativos referente à formação acadêmica das educadoras populares.

Palavras-chaves: Educação Popular - Formação - Currículo – Desafios
Introdução
Este artigo é uma possibilidade de diálogo com a educação popular e seus agentes sociais a partir de um estudo com educadoras que desenvolvem atividades em educação popular em Porto Alegre há bastante tempo, e que só após alguns anos, a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96 que um grupo de educadoras (es) através da organização de uma associação, buscou por formação em nível médio com o curso de magistério (normal) e posteriormente a formação em nível superior nos princípios da educação popular, onde essa busca deu-se por meio de uma luta de classe: Educadores (as) x governo municipal.
Nos últimos anos vive-se um momento histórico de emancipação das classes populares a partir da organização de um movimento social chamado AEPPA (Associação de Educadores Populares de Porto Alegre) onde o educador (a) se constitui pesquisador (a) de um novo desafio – formação acadêmica contextualizada a realidade de trabalho da educação popular. Como alternativa a esse desafio, grupos de educadoras (es) passaram a escrever que cursos de Pedagogia necessitavam para qualificar suas práticas de trabalho. Um dos resultados mais significativos deste movimento foi o curso de Pedagogia da UERGS (Universidade Estadual do Rio Grande do Sul) que teve em seu currículo a ênfase na educação popular. Anos depois, surgiu com a AEPPA o curso de Pedagogia da PUC, que sua nomenclatura é Pedagogia com ênfase na Educação Popular.
Desta forma, pretende-se discutir e estudar a formação acadêmica de educadores (as) populares, formados em Pedagogia em diferentes instituições que tem parcerias com a AEPPA, assim como fazer uma análise e ao mesmo tempo buscar resposta a seguinte indagação: em que medida a formação superior dá embasamento a prática pedagógica na educação popular.
A partir deste questionamento deu-se início a escuta, observação e conversas com educadoras populares que já estão graduadas e que buscam através da formação o seu reconhecimento profissional. A protagonista desta caminhada é a organização da associação que se criou como alternativa de mudança responsável, autônoma e crítica através da formação permanente das (es) educadoras (es) que desenvolvem atividades educativas nas instituições comunitárias da capital gaúcha.
A formação de Educadoras (es) Populares, entendida aqui como uma experiência sócio-histórica e política tem, também, suas dimensões, históricas, estética, éticas e filosóficas, não sendo neutras, porque “Mudar a cara” da Educação Popular tem sido uma caminhada difícil, mas possível a partir de um olhar crítico e contextualizado das (os) agentes sociais que protagonizam essa caminhada. Estas (es) educadoras (es) buscam firmar suas identidades profissional e conseqüentemente sua valorização.
É na associação - AEPPA, onde busca-se ideais coletivos, em que as atividades grupais de busca significam processos, resgates, lutas, utopias, perseveranças, esperanças e movimentos de construções de mudanças ousadas que Segundo Freire(1991) mudar:

(...) não se muda a ‘cara’ da escola por portaria. Não se decreta que, de hoje em diante, a escola será competente, séria e alegre. Não se democratiza a escola Numa perspectiva realmente progressista, democrática e não – autoritária, autoritariamente.

Este desafio inacabado, em que as (os) educadoras (es) vão se formando juntamente com suas relações sociais, a procura de novos saberes e a partir da trocas dos saberes feitos, é resultado da realidade contextual da educação social em que nada está pronto, e sim, em projeção, em fase de descoberta de em um mundo que tudo está em mudanças constantes. Em vista disto, verificar o avanço qualitativo da formação acadêmica das educadoras que tiveram sua formação em Pedagogia se fez necessário escutar, observar e conversar para obter possíveis respostas do estudo a qual me propus realizar.
2. Novos desafios, pesquisas e construções.
Homens e mulheres que educam e são educadas, através de um movimento coletivo, puderam expressar-se livremente dizendo sua palavra, falar sobre o que pensavam dos seus trabalhos, seus anseios, desejos e a forma como queriam organizar-se para transformar tal realidade. A mudança iniciou-se com a participação popular, em que o “desvelar” a realidade ia tornando-se um ato curioso, pois o lutar por direito ao trabalho com dignidade e formação foi um momento de conhecimento daquilo que não se enxergava.
O “espírito investigador” que movimentava aquele grupo de educadoras (es) estimulava a curiosidade para conhecer ao fundo o sentido das coisas. Estudar as “coisas”, porque naquele período, tudo era “coisa”, pois não se tinha o conhecimento cientifico das nomenclaturas que norteavam a educação brasileira. O desejo de aprofundar as curiosidades e as idéias do contexto, estudando leis, pareceres e documentos afins, foi sem sombra de dúvida, desafio epistemológico.
Algumas questões encontram-se em aberto, pois em um movimento de construção daquilo que se foi negado como direito as (os) educadoras (es) populares de Porto Alegre, o inédito viável , tem estado presente no cotidiano das ações destas(es) educadoras(es) sociais. A participação do grupo de educadoras aqui pesquisadas é heterogêneo, e todas vivenciam da mesma realidade profissional, brigam e lutam por novos desafios, buscando a conquista da sua emancipação enquanto educadoras populares, com formação e condições digna de trabalho para a sua saúde pessoal e profissional. É assim, que a pesquisa e a construção estão relacionadas ao diálogo, que é “o encontro dos homens (mulheres também) mediatizados pelo mundo para dar um nome ao mundo”( FREIRE, 1970, pág.45). Somada a está participação neste diálogo investigador de descobertas essas educadoras demonstram estar engajadas politicamente nos seus fazeres pedagógicos e sociais.
Foi através de pesquisas, descobertas e estudos que a associação se descobriu produtora de conhecimento. A primeira vez que as educadoras se enxergaram amparadas por alguma lei foi em 1996, onde elas se fortaleceram para lutar pelos seus direitos. Essa descoberta de direitos foi desvelada por meio de uma noticia no jornal, cujo destaque dava-se ao Art. 62 da LDBN:
A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal.

É a partir desta noticia que se nasce a AEPPA, onde educadoras se vêem na urgência de garantir formação continuada as (os) educadoras (es) de Porto Alegre, pois as instituições comunitárias de educação social – popular, no corrente ano (1996), ainda contavam com educadoras populares sem o acesso ao nível de formação mínima concluída, o magistério – modalidade Normal, essas descobertas de direitos, Freire chamava de “Consciência crítica”, que para ele “a consciência crítica é o conhecimento que consegue desocultar” certas definições que explicam a maneira como são organizadas as estruturas sociais. A consciência do direito desvelou a realidade daquele momento, conduzindo as educadoras(res) a lutarem e fundamentarem-se na criatividade, reflexão e a ação sobre a realidade das instituições comunitárias de Porto Alegre. Segundo uma das educadoras ouvidas, “o objetivo era promover a transformação”.
3. Diálogo com a Educação Popular e Educação Universitária
O grupo de educadoras populares que participaram da pesquisa conceituou com uma palavra o que é a educação popular a partir de suas experiências, onde apontam palavras significativas na ação pedagógica, a saber: conhecimento, inclusão, diversidade, transformação, emancipação, Realização, Revolução, Conhecimento, Desejo, Compromisso.
Paulo Freire , diz que: “Ensinar exige comprometimento”, que vem ao encontro do comprometimento com a formação permanente que as educadoras já graduadas disseram ter buscado na formação acadêmica. Para elas, que ensinam e consideram-se “eternas aprendentes”, as palavras demonstradas no quadro acima que conceitua a educação popular expressa o quanto torna-se importante essa abordagem como componente curricular dos cursos de pedagogia.Nesse sentido, a presença política de um educador (a) popular deve ser levada e consideração no que se refere à formação de pedagogas (os) na sociedade atual.
A presença concreta de quem tem opções por uma educação libertadora e que ousa desvelar novos conhecimentos, tendo a capacidade de analisar, comparar, estudar, avaliar, decidir e de romper com paradigmas que contrapõe com o sonho de uma educação popular é percebida na fala e gestos das pesquisadas. A autonomia, a ética e a responsabilidade foram possíveis de perceber com os relatos, assim como foi possível sentir e comprovar a questão de pertencimento quando se conhece a historicidade do Movimento Popular que as/os educadoras/es sociais comprometeram-se a trilhar. Estas educadoras demonstraram fazer e ser parte do movimento, destacando que as doze educadoras acreditam que a AEPPA precisa qualificar seus processos gestionários dando ênfase à gestão democrática. A partir dessa análise crítica elas dizem que o compromisso de mudança é de todas educadoras (es), pois “há um grupo de educadores que estão formados e este grupo deve estar junto nesse processo de mudança”. (fala de uma educadora, 2008). Nesse sentido, mudar dár- se a cada dia a partir das práticas reflexivas das (os) educadoras (es) que estudam e praticam a educação popular.
Em um dos momento perguntei ao grupo de educadoras porque a questão da gestão na AEPPA surgiu na nossa roda de conversas?
Uma educadora respondeu: “A gestão é parte da pedagogia, a AEPPA é parte da formação, tudo é educação”, logo a outra educadora colocou “isto é currículo!”, todas concordaram e contribuíram na reflexão conjunta sobre a Pedagogia na educação popular. Essa prática de fazer relações em uma inserção crítica a partir das experiências cotidianas instrumentalizava o grupo a pensar os seus cursos de Pedagogia.
Assim, a formação político-pedagógica das/os educadoras/es populares tem um referencial voltado à educação popular, que orienta a proposta ora supracitada, mas que vai além desta, porque objetiva intervir e transformar a realidade de seus trabalhos através da formação permanente e contextualizada. Assim, deseja-se romper com a “educação bancária” que Paulo Freire(1970) tanto questionou, principalmente para tomar o cuidado de não reproduzir o que se tem pronto, mas que seja possível ousar a criação, assumindo um compromisso com a transformação social.
É necessário, assim, pensar Educação Universitária como um todo, e que seja ela pública e de qualidade, inovadora e como diz Paulo Freire (1997, pág. 27-38), que seja “uma escola democrática e popular” , no entanto que seja ela um convite à transformação, que convoque a Universidade como um todo a engajar-se na mesma luta por uma educação de qualidade, democrática, participativa e popular. Alguns desses caminhos as educadoras/es populares da capital gaúcha já caminharam com curiosidade, sensibilidade, emoção, ousadia e criatividade. A trajetória tem tido seu êxito por ter sido construída de forma participativa, onde procura-se socializar o conhecimento experimental da prática em educação popular e suas manifestações culturais para serem teorizadas na formação acadêmica. É este o momento de pesquisa da própria prática onde todos/as desejam pesquisar e ser pesquisado, conhecer o outro, conhecer-se, avaliar-se e avaliar suas práticas, bem como sonhar buscando alcançar mecanismos libertadores para alcançar esses objetivos.
3.1 O conhecimento da educação popular e as manifestações culturais presentes na formação das/os educadores/as populares de Porto Alegre;
O Movimento Aepano , junto a muitos militantes sociais, de forma organizada constituiu-se como alternativa, luta e conquistas na historicidade da educação popular, dentre elas a parceria com instituições de educação para a busca da formação profissional das/os educadoras/es populares. Mas como esta formação vinha se somando a sonhos, ela não era podia ser qualquer formação, era o desejo do “inédito viável” para o além do “componente estético da formação do/a educador/a” (Moacir Gadotti) popular, era o sonho com vida na busca esperançosa pela mudança. Foi o início de uma caminhada de manifestação dos sonhos, lutas, lágrimas, sorrisos, conhecimentos, questionamentos, dúvidas, anseios, mas também de sentir na alma e no compromisso político aquilo que se quer dizer e fazer, ou seja, foi um caminho da não desistência e da não neutralidade da realidade local e global da história das mulheres e homens que fazem à educação social em Porto Alegre. Foi assim que a AEPPA surgiu da necessidade concreta de direitos até então negados e da luta política contra a opressão, a favor das classes populares e das suas condições de oprimidas (os). A esse movimento, que tem percorrido e que permanece percorrendo em busca dos sonhos possíveis, porque a associação tem em seu papel a construção de projetos, pesquisas, realizações de sonhos e de aprendizados contínuo.
É, portanto, uma luta que leva a realização de sonhos, não qualquer sonho, mas muitos sonhos de amplitude comunitária e de reconhecimento de legitimidade social, político e cultural, onde, faz a cidade de Porto Alegre ser reconhecida pelas lutas em prol de educação de qualidade, e por isso para a AEPPA educação tem sido motivo de constantes movimentos populares, que se constituí pelo movimento a favor de uma educação cidadã que se faz oposição ao clientelismo, a elitização e a mercoescola . No tocante das propostas educacionais, que na maioria das vezes, advindas de formas autoritárias, são na AEPPA, reavaliadas, rediscutidas e reivindicadas pelas educadoras/es populares, que buscam a libertação, construindo uma contra proposta, uma vez que, estão organizados de forma participativa para a constituição de sujeitos /as da história educacional de Porto Alegre, se opondo a condição de dominação política imposta pelo poder público, hoje nas esferas municipal e estadual, assim como se referenciou Freire (2000, p.115):
Não posso aceitar calado e 'bem-comportado' que um bilhão de desempregados com quem o século se encerra sejam considerados uma pura fatalidade deste momento. Nenhuma realidade social, histórica, econômica é assim porque está escrito que assim seja.

O processo educacional, que historicamente foi um ato coletivo, porque entende-se aqui a como construção de homens e mulheres, por não ser uma construção individual, tem um horizonte no contexto dos movimentos sociais que por si, tem princípios da educação popular organizada e coletiva, pois quando “a pessoa conscientizada tem uma compreensão diferente da história e de seu papel nela. Recusa acomodar-se. Mobiliza - se, organiza-se para mudar o mundo”. Este recusar-se a, que se analisa como releitura de mundo e instrumentos de consciência das /os educadoras /es populares da capital gaúcha. O mobilizar-se e o ir à luta nunca foi neutro, pois a educação e a política são indissociáveis, estando ambas nos revelando a impossibilidade da neutralidade e da “apoliticidade” do ato educativo, que de acordo com Freire: “Não há educação sem objetivos, sem finalidades. É isto que, fazendo-a diretiva, não permite sua neutralidade ou a neutralidade do educador” (1991: 119-120).
Se todo o processo educativo tem uma dimensão cultural, política e ética que instrumentaliza a ação do educador/a, por onde responde às necessidades da sociedade, a educação popular não pode se negar o estudo e intervenção na realidade atual, tendo em vista que são estas as dimensões que vão definir a identidade das educadoras/es populares na medida em que se percebe e se constitui como prática que a educação popular não tem visão ingênua. Todavia, o movimento social que luta participadamente a favor da comunidade e da educação de qualidade tem reivindicado por seus direitos. Direitos estes negados e que por vez foi na escolha por duas linhas distintas: opressão ou de libertação, que a AEPPA optou pela libertação consciente de que mudar é possível de forma organizada, que segundo Freire, 1997: “Do ponto de vista crítico, é tão impossível negar a natureza política do processo educativo quanto negar o caráter educativo do ato político”.
Desta forma, é importante como o conjunto de ações se articula na construção de uma educação popular de qualidade a partir da formação acadêmica de educadoras e educadores populares de Porto Alegre? O que vai mudar na educação pública e que reconhecimento estas educadoras /es populares terão após suas formações? São estes alguns dos questionamentos, que propulsionam a escrita deste tema no presente artigo. São perguntas e problemas a serem desvelados a partir de um estudo sobre o que se tem e o que se pode ter, embasados na história da educação.
No entanto, estas contradições históricas serão objetos de análise deste trabalho, bem como as experiências de novos currículos de cursos para formação de professores/as educadores/as populares de Porto alegre como reconhecimento do saber de experiência de quem faz a educação comunitária, assim como o de combater a lógica da unilateralidade do conteúdismo conservador e inflexível de alguns cursos de formação de professores/as.
A educação popular para quem a faz tem como principio pedagógico - a liberdade consciente e a autonomia responsável que objetivam a formação humana. Nesse sentido, fica a relevância dos movimentos sociais na construção de práticas educativas libertadoras, onde estas ações dialógicas e participativas são diferentes de todas as práticas educativas bancárias e da sociedade capitalista, onde a educação para a opressão grita mais alta, porque este grito, não assusta, ele é silencioso e subordinador, mas presentes nas ações. Entretanto, ao contrário da dominação, está como contraponto, à formação permanente em / para educação popular que deverá possibilitar uma trajetória de educação de qualidade, problematizadora e humanizadora como diz Freire: 1985 pág. 78:
A educação libertadora, problematizadora, já não pode ser o ato de depositar e de narrar, ou de transmitir “conhecimentos” e valores aos educandos, meros pacientes à maneira da educação “bancária, mas um ato “cognoscente”“. (...)

Logo, pensar sobre a importância do dialogo com a educação popular e pública como fatores importantes para um currículo inovador e indissociável da realidade local e global do contexto escolar significa pensar sobre formação docente de modo que deverá ser permanente e desafiadora, que reconheça a prática social e o/a educador/a popular como profissional, a fim de que este se assuma como pesquisador e como uma/um profissional da educação comprometido com uma educação de qualidade. À medida que se promova uma educação transformadora em uma perspectiva da construção de uma educação social/popular que emancipe, liberte, conscientize e respeite as pessoas nas suas diferenças com as condições igualitárias de vida digna, saudável e feliz, também se incorpora a palavra “ Mudança” como tarefa humana de transformação da realidade educacional para “ser mais”,.
Desta forma, o/a educador/a popular/social deseja ser reconhecido como profissional sujeito/a de direitos, como por exemplo, a construção de um plano de carreira ou um documento nesta linha, de modo que regulamente esses/as profissionais reconhecendo-os enquanto educadores/as sociais/ populares. Uma vez que, para isto, esses referenciais devem ser contemplados lá na formação inicial e permanente, onde as construções destes processos estejam norteadas pelas relações sociais, que instrumentaliza a libertação e emancipação para o exercício da profissão de forma feliz, respeitosa, saudável e criativa onde o poder público também venha ter sua responsabilidade para com todas as/os educadoras/es sociais.
4. O papel de transformação no processo de mudança Educacional e Social e as considerações finais
O papel do/a trabalhador/a em educação social no processo de transformação é um ato de reflexão a cerca dos resultados significativos dos movimentos sociais. Neste contexto discute-se a relevância da Associação de Educadores Populares de Porto Alegre onde a sua estrutura física é precária, porem a estrutura social tem representado efetivamente à mudança dos paradigmas educacional, social, cultural e histórico. A saber, um educando/a que vivencia a mudança e transformação da prática pedagógica de sua educadora através da formação inicial e permanente percebe em si mesmo as possibilidades de transformação de sua própria vida, pois este educador/a é oriundo da comunidade local e ter educadores/as estudando é a primeira transformação não somente na estrutura educacional, mas social do país, dado que a educação popular tem como pressuposto “transformar o mundo, sendo o sujeito de sua ação ”, mas transformá-lo conscientemente, porque o/a trabalhador/a social humanista visa uma educação transformadora.
Contudo, lutar por condições justas, humanas, significativas, sociais e transformadoras por uma educação popular também nas Universidades que respeite e valorize os/as profissionais é lutar por formação pedagógica, humana e social. No livro pedagogia da Autonomia, pág. 16, Paulo Freire fala que “Ensinar exige estética e ética”, portanto, a docência, a formação permanente e o engajamento político fazem parte do compromisso social com a educação e com o povo. É fundamental, pensar e construir uma formação universitária que ande de mãos dadas com o contexto social e local em que os espaços educativos estão inseridos, e que permeie por uma formação docente permanente e crítica, em que a dialogicidade seja uma ferramenta de transformação social. Assim, a formação permanente, é momento, também, de reflexão crítica sobre a prática, porque dever-se-á ser democrática e superadora de toda prática de dominação. Nesta formação, vai ser fácil ter a coragem de mudar, enfrentar e revelar-se, porque segundo Freire no livro Pedagogia da Autonomia, pág. 20:
Nenhuma formação docente verdadeira pode fazer-se alheada, de um lado, do exercício da criticidade que implica a promoção da curiosidade ingênua à curiosidade epistemológica, e de outro sem o reconhecimento do valor das emoções, da sensibilidade, da afetividade, da intuição ou adivinhação. Conhecer não é, de fato, adivinhar, mas tem algo que ver, de vez enquanto, com adivinhar, com intuir. O importante, não resta dúvida, é não pararmos satisfeitos ao nível das intuições, mas submetê-las à análise metodicamente rigorosa de nossa curiosidade epistemológica.

A análise que Paulo Freire nos dizia, é aquilo que as educadoras e educadores populares de Porto Alegre tem procurado realizar a cada prática educativa e social, porque são compreendidas por elas e eles que educação e sociedade são temáticas que estão juntas, portanto não há como dissociar uma da outra. Desta forma, é impossível lutar sem amar, sem desejar e acreditar que mudar é possível, difícil, mas que exige compromisso ético, estético, social e político com o povo e para o povo.

REFERENCIAS
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